Renault 5 Turbo: Fenomenal

Fruto da experiência ganha na F1, a Renault desenvolve a tecnologia do turbocompressor com sucesso. Pouco a pouco a marca francesa começa a utilizar o turbo nos motores dos seus modelos de série, fazendo desta tecnologia a sua marca de fabrico no inicio dos anos 80. O primeiro escolhido foi o Renault 5 Turbo. Este Renault 5 adepto de culturismo é um autêntico automóvel de corrida apenas civilizado para conduzir na estrada, simplesmente Fenomenal.

Nos anos 70 a Renault está decidida a dominar o mundo competição automóvel. Em 1977 entra na Formula 1 com uma nova tecnologia – a utilização de um motor turbo. Tecnologia coma qual a marca francesa parte à conquista das 24 h de Le Mans. Com o chegar da década de 80, decidiram lançar-se no campeonato de ralis para acabar com a hegemonia do Lancia Stratos. Para isso vai desenvolver um protótipo equipado de um motor turbo com base no Renault 5.

Quando um automóvel destes aparece na gama do plácido Renault 5 raramente será por razões meramente comerciais. Tratava-se de matar dois coelhos de uma cajadada, de um lado preparava-se a entrada da Renault no mundial de ralis, beneficiando de uma tecnologia inovadora que já deu as suas provas na F1 e ao mesmo tempo promovia-se o citadino Renault 5.

Os construtores franceses tornaram-se verdadeiros especialistas no segmento dos citadinos e estes representam um papel primordial nas vendas. Pelo que é lógico o esforço despendido pela Renault para promover o seu citadino através do sucesso que este poderá ter em competição. Assim nasce o Renault 5 Turbo que se transforma em tracção traseira e vê o motor colocado em posição central traseira nas costas do condutor.

As Origens

Tudo começa em 1976, quando dois funcionários da Renault Sport vêem com interesse o surgimento de uma versão desportiva do Renault 5. Por esta altura o 5 Alpine estava praticamente pronto para ser apresentado ao publico, mas estes senhores querem uma versão ainda mais radical.

Este seria o modelo ideal para dinamizar as vendas do citadino gaulês utilizando uma tecnologia inovadora em que a marca se tornou um verdadeiro especialista. Sem grandes dificuldades o projeto 822, como era conhecido internamente obtém o aval do presidente e pode começar.

São nada menos do que quatro as equipas que vão trabalhar no projeto: a Renault, a Bertone, a Heuliez e a Alpine. Enquanto os dois primeiros vão dedicar-se ao design, contando para isso com a preciosa ajuda do italiano Marcello Gandini. A Heuliez por seu lado encarrega-se da industrialização, pois este modelo será montado nas suas instalações. Por fim à Alpine cabe o desenvolvimento da motorização.

Depois de testadas várias soluções, a escolha recai mais uma vez sobre o já conhecido motor de quatro cilindros “Cleo Fonte” já utilizado no Renault 5 Alpine. Por razões de custo, mas sobretudo porque este era o que melhor se encaixava no exíguo espaço reservado para tal. No que diz respeito à restante parte técnica, vai recorrer-se à reutilização de componentes já existentes noutros modelos: a suspensão e o sistema de travagem são do Alpine A310 e a caixa de velocidades é originária do Renault 30.

O pequeno 1.4 litros vê a sua potência chegar aos 160 cv, se hoje em dia isto pode parecer pouco, convém lembrar que o contexto não é o mesmo e para um veiculo que pesa menos de uma tonelada isto é deveras impressionante.

Estilisticamente o Renault 5 Turbo transpira a potência e o desporto. O pequeno Renault 5 está praticamente irreconhecível, está muito mais largo e possui enormes entradas de ar laterais, como se estivesse passado numa sala de musculação. Quando olhamos para ele vê-se que não veio para brincar e está pronto para entrar em acção, para isso muito contribui os pneus mais largos atrás do que os da frente, que lhe dão um ar ainda mais agressivo.

Produção atribulada

A produção do Renault 5 Turbo é no mínimo atribulada e exige uma logística eficaz. Senão vejamos, as carroçarias saiam da fabrica da Renault para as instalações da Heuliez onde eram feitas as principais alterações estéticas, regressando de novo à Renault para os últimos acabamentos. Mas não é tudo, estas voltavam a fazer nova viagem desta vez até Dieppe às instalações da Alpine para procederem à instalação do motor e interiores. E pronto parece que é tudo, estão prontos para serem enviados aos concessionários.

Apresentado oficialmente em 1980 no Salão de Bruxelas, o Renault 5 Turbo chega aos concessionários em julho do mesmo ano. Este está apenas disponível em azul ou vermelho, se o exterior respira a exclusividade, o interior não lhe fica atrás. O habitáculo tem assinatura dos italianos da Bertone e é bem demonstrativo da sua época – os anos dourados da ficção cientifica. Sobretudo o painel de instrumentos e o curioso volante.

O Renault 5 Turbo supera as expectativas e revela-se um sucesso comercial, com uma produção prevista de 400 unidades, esta acaba por atingir as 1690 unidades vendidas. Apesar deste sucesso este modelo é considerado muito dispendioso a produzir e estará apenas dois anos em produção. Em 1982 e depois de uma operação de redução de custos, chega o Renault 5 Turbo 2. Este perde a excentricidade do seu antecessor e é muito mais civilizado, serão produzidos mais 3167 unidades até ao ano de 1986, ano em que o Renault 5 se despede definitivamente.

Vive a Tua Paixão!

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