Citroën Visa Mille Pistes : Anatomia de um desportivo

A partir dos anos 80, a Citroën inicia uma nova estratégia de promoção comercial com a criação de um departamento desportivo. A disciplina escolhida é o então mediático Mundial de Ralis e o Citroën Visa é o representante escolhido pela marca. Vão iniciar-se então uma série de testes com vista à escolha da melhor solução técnica a adoptar. Foi assim que nasceu o Citroën Visa Mille Pistes.

A Citroën foi sempre uma marca à parte, contrariamente a muitos dos seus concorrentes a marca aos chevrons esteve muitos anos afastada do automobilismo. O seu fundador André Citroën sempre preferiu apostar na divulgação da sua marca com campanhas de marketing diferenciadas. As travessias continentais pelas regiões mais adversas do globo são um bom exemplo disso.

Com a integração da marca no grupo PSA, a Citroën muda de estratégia e inicia um programa desportivo com a criação da Citroën Competitions. Com o antigo piloto de ralis Guy Verrier aos comandos, este vai apostar no Campeonato Mundial de Ralis. O modelo escolhido será o Citroën Visa, que irá por um lado representar a marca francesa e por outro beneficiar disso para aumentar as suas vendas que estavam aquém das expectativas.

A estratégia desportiva passa então pela criação de um troféu monomarca  – o “Trophée Total Citroën Visa” destinado a pilotos amadores e à descoberta de novos talentos. E por outro lado a incorporação de uma equipa oficial no campeonato de ralis.

A Citroën vai então solicitar diversos preparadores independentes para a elaboração de propostas de forma a testar as mais variadas soluções técnicas. Diversos protótipos são apresentados, estes vão inicialmente privilegiar a configuração de motor central com tracção traseira, é o caso do protótipo apresentado pela Lotus que contava ainda com o motor do Espirit Turbo. Este no entanto revela-se muito difícil de pilotar, pelo que a Citroën resolve orientar-se de novo numa configuração mais tradicional, para melhor testar os protótipos estes são inscritos em várias provas oficiais.

Para paliar o atraso no desenvolvimento do veículo, a Citroën decide participar no recém-criado Grupo B com o Visa Trophée utilizado no troféu Visa. Esta é a nova categoria rainha onde as máquinas mais aterrorizantes competem entre si, a começar pelo Audi Quattro. É precisamente este que vem provar que a tração integral é a solução por excelência.

A Citroën cedo se apercebeu das suas limitações, optando então por dotar o Citroën Visa da tração integral para se tornar mais competitivo. Para homologar o veiculo, este deve ser produzido numa edição especial de pelo menos 200 unidades civis. Com base no Visa GT Tonic este será produzido pela Heuliez, o habitual parceiro que também irá reforçar a plataforma para receber a tração integral. O nome escolhido para esta versão é : Visa Mille Pistes, uma homenagem à primeira vitória do Citroën Visa em ralis.

O Visa Mille Pistes distinguia-se pelos seus logotipos que simbolizam o 4×4

O Citroën Visa Mille Pistes distingue-se dos outros Visa desportivos pelos 4 faróis circulares e pelos dois logotipos “chevrons” separados por um X na grelha frontal. O habitáculo por seu lado é o mesmo do GT Tonic que lhe serve de base.

Sob o capô encontramos o motor PSA de 1360 cm3, aqui equipado de dois carburadores duplos o que lhe permite chegar aos 112 cv. Com uma tipologia rali, o Visa Mille Pistes revela um enorme potencial, com apenas 850 kg a acusarem na balança este é ágil e as suas prestações não são melhores devido à sua potencia considerada limitada.

Para além das 200 unidades civis será ainda produzida uma segunda série de 20 unidades “Evolution” destinadas à competição, estas viam o 1.4 desenvolver 145 cv. O Citroën Visa Mille Pistes foi o primeiro citadino francês a propor a tração integral e o primeiro representante do grupo PSA na categoria rainha do Mundial de Ralis, a sua carreira seria eclipsada pelo Peugeot 205 Turbo 16.

O Citroën Mille Pistes confirma o papel do Visa no lançamento da marca gaulesa na competição automóvel. O Visa Mille Pistes será ainda o percursor de modelos como o BX 4TC e o ZX Rallye Raid. Com pouco mais de 200 exemplares, escusado será dizer o quão difícil é encontrar um no mercado, para poder usufruir de um Citroën Visa de caracter desportivo a solução poderá passar pelo GTI a versão mais produzida de todas.

Vive a tua paixão!

2 thoughts on “Citroën Visa Mille Pistes : Anatomia de um desportivo

  1. Bom dia Sr. Mário Correia, partilho da mesma paixão, o gosto por tudo o que tem rodas, gostei do seu artigo sobre o Citroën Visa Mille Pistes, na minha opinião, só faltou referir que o desenvolvimento desportivo do Visa foi iniciado precisamente em Potugal, até que culminou na versão exclusiva para o mercado nacional, denominada Citroën Visa GT-Bicampeão.

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