Renault : O logotipo da discórdia

No início da década de 1970, a Renault estava passando por grandes mudanças. Decidiu voltar as costas à propulsão para se converter à tracção dianteira e ao motor instalado na frente. Inicia uma política de novos modelos em sintonia com os novos tempos. Utilizando o losango como logotipo desde 1925, este sofreu apenas duas pequenas alterações, em 1946 e 1959. Está na hora de ganhar uma nova imagem, mais adequada à evolução da sociedade e da própria gama. Foi assim que surgiu um novo logotipo em 1971. Este logotipo não ficou muito tempo no capô da marca, contestado em tribunal acabou por desaparecer no ano seguinte para dar lugar a um novo logotipo.

Depois do Renault 4 em 1961, do Renault 16 em 1965 e do Renault 12 em 1969, a marca francesa traçou a estratégia a seguir para os próximos anos. Mas o lançamento em julho de 1971 dos coupés R15 e R17 não deixou dúvidas, tratava-se de uma nova era. E o que há de melhor para confirmar o início de uma nova era? Bem nada melhor do que uma nova identidade visual.

Por esta altura está-se a aprimorar o projeto 122, o pequeno carro citadino que se tornará no Renault 5. A acompanhar todas estas novidades torna-se necessário substituir o velho logotipo considerado como antiquado. Para desenhar este novo logótipo é Michel Boué, o “pai” do Renault 5, que vai ser chamado. A pedido do presidente Pierre Dreyfus, será ele a desenhar um novo logotipo.

Michel Boué opta por um losango muito simples, como dois Vs virados de cabeça para baixo e colados. A direção da empresa valida esta nova identidade e os novos R15 e R17 são os primeiros a utilizá-la.

O logótipo proposto por Michel Boué

Quando o Renault 5 foi apresentado com grande pompa e circunstância em janeiro de 1972, essa mediatização teve um lado negativo. A Kent, que fornecia produtos químicos aos construtores automóveis percebe neste momento que o novo logótipo da marca francesa, é nem mais nem menos do que o seu logotipo, mas invertido. É uma coincidência total, mas a realidade é implacável, trata-se praticamente do mesmo desenho.

O logótipo de empresa Kent.

É certo que a Renault já usa o losango desde 1925, mas a Kent, que trabalha para a indústria automóvel decidiu então levar o caso a tribunal, por considerar que essa proximidade ser-lhe-ia prejudicial. Este concordou com o queixoso e a Renault foi proibida de utilizar o novo logótipo.

Mas, e agora o que fazer? Voltar ao logotipo antigo ou apostar num novo logotipo tão moderno quanto era o de Boué? Pierre Dreyfus escolhe audaciosamente a segunda opção.

A Renault faz então apelo a Jean-Pierre Vasarely, um artista contemporâneo de 38 anos, que desenhou em poucos dias um novo logotipo para a marca. Manteve o losango, mas deu-lhe um efeito 3D graças às suas bandas de diferentes espessuras. A direção da marca está conquistada e aceita de imediato a proposta.

O novo logótipo desenhado pelo Jean-Pierre Vasarely.

O tempo urge, o fabrico do novo logótipo começa de imediato e os proprietários dos veículos com o logotipo errado são chamados para substituí-los nos concessionários da marca. O logotipo Vasarely permanecerá inalterado até 1992. E Ainda hoje, o novo logotipo da Renault é fortemente inspirado nos princípios de Jean-Pierre Vasarely.

Vive a Tua Paixão!

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