Jaguar E-Type: Uma Obra-prima absoluta

Descendente direto do vitorioso Jaguar D-Type, o E-Type é sem dúvida o Jaguar mais icónico. Desvendado em 1961 no salão de Genebra, aquele que foi considerado por Enzo Ferrari como o automóvel mais bonito jamais construído, é talvez o automóvel mais mítico da década de 1960. Vamos conhecer a sua história.

Como não se deixar cativar pelas suas linhas? Pelas suas curvas femininas quase eróticas? Ao vê-lo Salvador Dali exclamou “o Jaguar E-Type é belo como o corpo de uma mulher”. No entanto o que inspirou este felino de Coventry foi uma disciplina muito masculina: o desporto automóvel. O Jaguar E-Type é o digno descendente do D-Type, três vezes vitorioso nas 24 de le Mans.


Depois de abandonar o nome SS para se tornar Jaguar, a marca produziu uma gama de carros desportivos que marcaram gerações tanto pelas suas prestações, como pelo seu sucesso comercial. Os Jaguar XK120, XK140 e XK150 impressionaram e a sua substituição tem que estar à altura. O novo carro começa a ser desenvolvido a partir de 1957 e três protótipos são construídos. Foi Malcolm Sayer quem assumiu o design.

O primeiro protótipo deriva diretamente do automóvel de competição D-Type, nome de código, E-Type A1. Este adota as soluções técnicas desenvolvidas diretamente da competição. O motor utilizado é o conhecido XK estreado em 1948, aqui na configuração 2,4 L, desenvolvendo 200 cv. O chassis do E-Type é um monobloco com uma frente assente numa estrutura tubular. As quatro rodas são independentes e a travagem é assegurada pelo sistema de discos já comprovado em corridas. O que para a altura revelava uma concepção de uma modernidade incrível.

O desportivo de referência dos anos 60

A Jaguar desenvolveu em segredo seu novo modelo, brincando de gato e rato com os jornalistas que imaginam uma simples evolução do XK150. No entanto, em Coventry, estão conscientes de que o XK está no fim da sua vida útil, apoiando-se numa base técnica desatualizada. A marca já tinha revolucionado o mercado das berlinas de luxo com o Mk2 e deve persistir neste caminho de desportivo luxuoso a preços moderados. Assim, o Type E quando foi lançado custava cerca de metade do que os seus concorrentes da Ferrari ou da Aston Martin, apesar da sua modernidade técnica e prestações superiores.

O E-Type desencadeou paixões durante sua apresentação na véspera do Salão Automóvel de Genebra de 1961, num evento organizado por William Lyons. O entusiasmo foi tal que o patrão da Jaguar decide trazer com urgência um segundo modelo para ser exibido na salão. Norman Dewis, piloto de testes da Jaguar, assume então o volante de um descapotável e atravessa, numa noite, a estrada entre Coventry e Genebra, ou seja 1100 km a uma velocidade média de 110 km / h … sem auto-estrada e sem túnel sob o Canal sobre a Mancha. O que demonstra o extraordinário potencial do carro.

Como esperado o Jaguar E-Type faz sensação e é a revelação do salão, levando Enzo Ferrari em pessoa afirmar: “ O mais bonito automóvel jamais construído “.

Inicialmente, apenas um motor é proposto, é ainda o tipo XK de 6 cilindros em linha, aqui na sua nova versão 3.8L, desenvolvendo 265 cv. associado a uma caixa de velocidades Moss de 4 velocidades um pouco anacrónica e lenta. Apesar disso, o Jaguar E Type atinge a velocidade máxima de 240 km / h e os 0 aos 100 em 7,2 segundos.

As suas linhas e performances vão conquistar uma clientela tão ampla quanto variada. Em 1962, a Jaguar vendeu 6300 unidades, o E-Type seduziu as celebridades que lutavam para estar entre os primeiros donos. Steve McQueen, Frank Sinatra, Peter Sellers, Tony Curtis, George Harrison, Johnny Hallyday ou Brigitte Bardot fizeram parte do lote.

O Jaguar E-Type sofre a primeira evolução no ano de 1964, o motor 3.8 dá lugar a um motor 4.2 de cilindrada, que continua com a mesma potência de 265 cv. Outra melhoria bem-vinda, a caixa de velocidades Moss é substituída por uma produzida pela Jaguar totalmente sincronizada.

No ano seguinte, o Jaguar Type E ganha dois lugares. Para satisfazer o mercado americano, surge o coupé 2 + 2. O carro cresce 23 cm e tem um banco traseiro, permitindo assim ao pai de uma (pequena!) família usufruir de um desportivo. O formato do teto e a inclinação do pára-brisas sofrem algumas alterações para proporcionar maior espaço.

Entre 1967-68, a Jaguar lançou um modelo de transição, mais tarde conhecido como Série 1.5 que anticipa alguns elementos da Série 2 que estava prestes a chegar.

Para fazer face às normas de segurança e poluição cada vez mais exigentes do mercado americano, a jaguar vê-se obrigada a mudar profundamente o E-Type.

Exteriormente, isso já é perceptível. Os pára-choques são mais altos e mais envolventes. Do lado mecânico, mudou-se os carburadores para reduzir a poluição e isso tem o efeito imediato de reduzir a potência de 265 para 170 cv!

Em 1971, o E-Type vê a chegada da sua última evolução. Denominada Série 3, esta será apenas proposta nas versões 2+2 e cabriolet. Com o objetivo de dar um impulso ao E-Type surge um novo V12 todo em alumínio, com 5343 cm³ este desenvolve 272 cv. DIN e 473 Nm de binário.

A Jaguar anuncia uma velocidade máxima de 235 km/h e 6,5 segundos dos 0 aos 100 km/h, no entanto o peso também aumenta. Com estas novas alterações o Jaguar E-Type perde em graciosidade, e sobretudo o seu espírito desportivo.

O Jaguar E-Type revolucionou os carros desportivos de várias maneiras, mas, no final das contas, foi a sua bela carroçaria que o distinguiu de outros automóveis em produção e que fez dele um ícone intemporal.

Vive a Tua Paixão!

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