Grupo B – Os Monstros Sagrados

Numa altura em que começa mais uma temporada de WRC, hoje vou falar-vos dos carros mais extremos, mas também os mais perigosos da história do desporto automóvel – O Grupo B. Na década de 80 e durante apenas cinco anos, estes “Monstros Sagradosiriam mudar para sempre a história do Rali. O Grupo B representa o período mais insensato, mas também o mais emotivo, onde só havia uma regra, simplesmente a ausência de regras. Eis a sua história.

A Origem

Os anos 80 ficaram marcados pela loucura na competição automóvel, o Grupo B era um concentrado de: potência, velocidade, adrenalina, insanidade e talento. Mas é preciso recuar aos anos 70, para assistir ao nascimento daquele que iria influenciar todo o resto. Este chama-se Lancia Stratos.

Em 1973, o construtor italiano vai conceber o primeiro automóvel concebido exclusivamente para o rali. Produzido por Bertone e desenhado por Marcello Gandini, o Lancia Stratos tinha uma concepção tradicional, equipado do motor V6 produzido por Ferrari em posição central e tracção traseira.

Distorcendo a regulamentação que obrigava os automóveis usados em competição derivarem diretamente de um modelo de série, o Lancia Stratos viria a mudar o curso da história dominando o campeonato mundial durante três anos consecutivos. Se bem que o Grupo B só tenha aparecido anos mais tarde, é o Stratos que vai abrir o caminho ao estimular o interesse do público por esta disciplina.

Renault 5 Turbo

O sucesso do italiano vai influenciar outro construtor a regressar ao campeonato de ralis, aproveitando a sua longa experiência e palmarés na disciplina. A Renault será mais discreta ao desenvolver um carro de competição dando-lhe umas parecenças com o citadino da marca o Renault 5 para uma homologação mais fácil. Assim nasce o R5 Turbo Grupo 4, que evoluiria mais tarde para Renault Maxi 5 Turbo para competir no grupo B.

Renault Maxi 5 turbo era um dos mais ágeis do Grupo B, só lhe faltava a tracção integral.

Em 1980 a Federação Automóvel modifica a regulamentação reorganizando as categorias passando estas a ser designadas por letras. Com o objetivo de atrair os construtores a participar no campeonato, é criado o Grupo B com regras mais permissivas. A partir de agora para homologar um veículo para a competição apenas é necessário a produção de 200 modelos de série (quando antes eram necessários 500).

Audi Sport Quattro S1

Apesar das regras mais permissivas, os construtores não se mostram muito entusiasmados. Alguns vão aproveitar para tentar impor algumas modificações. É o caso da Audi que tinha recentemente desenvolvido o sistema Quattro e consegue que os veículos de tracção integral possam participar no Grupo B.

O Audi Sport Quatro apostava na eficácia do sistema Quattro, tornando-se imbatível em terra batida.

O Audi Sport Quattro será o primeiro carro de tracção integral a participar no Campeonato Mundial de Ralis, obtendo resultados extraordinários em terra batida. O que iria influenciar todos os outros construtores.

Lancia 037

O começo oficial do Grupo B dá-se em 1982. Se a Audi foi o percursor da categoria, mas foi uma marca italiana que criou um modelo exclusivo para participar no Campeonato. A Lancia lança o 037 o mais belo carro de rali jamais construído, Este tinha uma concepção tradicional pois tratava-se ainda de um veículo de tracção traseira. Desenhado por Pininfarina, o Lancia 037 protagonizou vários duelos interessantes com o Audi Sport Quattro S1 apesar das concepções técnicas diferentes.

Tracção Integral para quê? Esta era a filosofia do elegante Lancia 037, o último tracção Traseira a vencer o campeonato.

Peugeot 205 Turbo 16

Enquanto a Lancia e a Audi mantinham emocionantes duelos na luta pelo titulo do Campeonato Mundial de Ralis, outro construtor decide lançar-se na aventura. Desta vez é a Peugeot que sob a direção de Jean Todd que apresenta o Peugeot 205 Turbo 16 (também conhecido por Peugeot 205T16). Para garantir o seu sucesso no Grupo B a Peugeot vai aproveitar o melhor de cada um dos seus concorrentes e juntar tudo num só veiculo. A tracção integral do Audi Quattro, a maneabilidade do Renault Maxi 5 Turbo e o motor em posição central do Lancia 037, fazem do 205 T16 um dos veículos mais eficazes do campeonato. O Peugeot vai conquistar o campeonato em 1985 e 1986.

O Lendário Peugeot 205 T16, concentrava as qualidades dos seus adversários, dominou os últimos anos do Grupo B.

O Principio do Fim

Para o campeonato de 1985 a Lancia apresenta o 038, mais conhecido como Lancia Delta S4, este será o ultimo dos monstros do Grupo B e também aquele que marcaria o fim trágico desta categoria. Com o Delta S4 a Lancia aderia à tração integral e estreava um complexo sistema que combinava um turbo com um compressor para ter potência em todos os regimes e assim obter um melhor desempenho do motor.

O Lancia marcaria o fim trágico do Grupo B.

Sem limitações técnicas ou financeiras as marcas faziam de tudo para tornar os carros de Grupo B cada vez mais mais rápidos, conhecidos pela alcunha “os Formula 1 da estrada” estes desenvolviam potencias superiores a 600 cv. Mas até onde iria esta corrida á potencia?

Além de potentes, os Grupo B eram difíceis de conduzir, e os acidentes eram cada vez mais frequentes. Se a isto juntarmos a presença de milhares de pessoas a assistir que pouco esclarecidas quanto aos perigos que corriam invadiam as pistas por onde passavam os pilotos, era uma questão de tempo até uma tragédia acontecer. O que acabou por acontecer no Rali de Portugal de 1986, quando Joaquim Santos perdia o controlo do seu veiculo e albaroou a multidão provocando 3 mortos e mais de 30 feridos.

Um mês mais tarde, dá-se o trágico acidente no Rali de Córsega que vitimou Henri Toivanonen aos comandos da prova, assim como o seu co-piloto. Este seria o golpe fatal, as consequências foram imediatas, a federação a anuncia o fim do Grupo B. O fim brusco do Grupo B acabaria por amputar as ambições de alguns construtores que vinham de entrar no campeonato, como por exemplo a Ford com o promissor RS200, a MG com brutal o MG Metro 6R4, ou ainda a Citroën com o controverso BX4TC.

Vive a Tua Paixão!

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