Citroën GS Birotor – Vítima do Seu Apetite

O ano de 2020 é um ano de duplo aniversário na Citroën. É o cinquentenário do Citroën GS e do Citroën SM . Estando em produção de 1970 a 1986 o GS teve a dura tarefa de representar a Citroën no segmento mais concorrido da Europa. Durante esse período quase 2,5 milhões de unidades foram vendidas e foi eleito Carro do Ano de 1971. Várias foram as versões existentes, desde a versão Club à versão mais luxuosa Pallas, passando pelas tímidas versões desportivas X. Em 1973, a Citroën apresenta o GS Birotor equipado com a nova aposta tecnológica da marca, o motor a pistão rotativo também conhecido por Wankel.

A Citroën foi uma marca que sempre se caracterizou pela inovação das suas escolhas tecnológicas e pela irreverência através do arrojo estilístico dos seus modelos. O Traction Avant (arrastadeira) e o DS são bons exemplos dessas características.

No entanto já não podemos dizer o mesmo quando falamos de motores. Apesar de terem existido vários projetos, estes por falta de meios raramente se concretizaram. Foi o caso com o Citroën DS em que se previa a utilização de um novo motor de 6 cilindros opostos (boxer) e que acabou por utilizar os motores revistos do velhinho Traction Avant. E isso acabou por repetir-se com outros modelos.

Na década de 60, os dirigentes da marca pretendem resolver este problema para colocar de novo a Citroën no topo das marcas inovadoras. Para isso o presidente Pierre Bercot decide apostar em duas soluções. No motor a pistão rotativo (Wankel) para o segmento médio e na compra da Maserati aproveitando a experiência dos italianos para a produção de um motor de prestígio para o futuro modelo topo de gama da marca – o Citroën SM . Esta estratégia viria a revelar-se desastrosa para as finanças da empresa e acabaria por precipitar a falência da marca anos mais tarde.

Wankel – A Aposta falhada

A ideia do motor rotativo Wankel em teoria não era nada má, pois esta era uma opção técnica interessante, permitia eliminar todo o tipo de vibrações do motor durante o seu funcionamento. A marca alemã NSU foi a primeira a apostar nesta tecnologia, mas os investimentos necessários eram muito importantes pelo que precisava de se aliar com alguém para poder continuar. Foi assim que a Citroën juntou-se ao projeto e foi formada uma sociedade para o desenvolvimento e produção de motores rotativos.

Os alemães da NSU foram os primeiros a apresentar o RO 80 em 1967. A Citroën apresentou em 1969 o seu primeiro modelo com o motor rotativo, trata-se do Citroën M35, com base no Ami 8. Este era um veículo experimental para testar as capacidades desta nova tecnologia. Estas tentativas não tiveram o resultado esperado e levariam mesmo ao desaparecimento da NSU que foi absorvida pela Volkswagen.

Apesar destes indicadores nada favoráveis, a Citroën continua o investimento no motor Wankel e em 1973 apresenta o GS Birotor. Também conhecido como Citroën GZ este utiliza o motor comotor 624 de dois rotores de 497,5 cm3 cada, o que totaliza 995 cm3 para uma potência de 107 cv, precisando este GS de 13 segundos para chegar aos 100km/h. Acoplado ao motor está uma caixa semiautomática C-Matic de três velocidades.

Construído com base no Citroën GS tradicional, o GS Birotor sofre algumas alterações que o distingue da restante gama. O GS Birotor vinha equipado com novas jantes e pneus de maiores dimensões, o que obrigou a alargar os guarda-lamas. Esta versão era proposta com cores específicas, ou ainda de dois tons. Para o interior a Citroën dedicou-lhe uma atenção especial, propondo um equipamento mais completo e luxuoso.

Vítima do Seu Apetite

Se a imprensa especializada da altura estava rendida às capacidades do GS Birotor, este foi um fracasso comercial. Ao ser lançado em plena crise energética, o seu consumo médio de 12 a 20 litros aos 100 assustou os seus potenciais clientes. O preço foi outro dos obstáculos pois este custava tanto como um Citroën DS entrando em concorrência direta, além disso era 70% mais caro que o GS tradicional. Sem falar nos problemas de fiabilidade do motor Wankel, que obrigava os proprietários do GS Birotor a passar muito tempo nas oficinas.

Com tantos problemas apenas foram produzidas 847 unidades, entre 1973 e 1975. Perante este fracasso, a Citroën decide recuperar todos os veículos vendidos para desmantelá-los. Propondo em troca o novo Citroën CX aos seus proprietários. Felizmente cerca de 50 exemplares conseguiram escapar.

Vive a Tua Paixão!

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