Citroën GS – O Elemento Que Faltava.

Vários foram os anos em que a gama de modelos da Citroën estava desajustada face ao mercado, existia um grande vazio entre o 2cv e o DS. Essa discrepância foi em parte colmatada pelo Citroën Ami 6, mas este era considerado por muitos apenas um 2cv melhorado. Depois de dez anos de estudos e projetos anulados, a Citroën apresenta finalmente em 1970 um modelo do segmento médio, o Citroën GS. Embora por vezes esquecido, o GS iria revelar-se de extrema importância pra a marca, passamos aqui em revista a sua história.

Consciente da necessidade de um modelo do segmento médio na sua gama, a Citroën encarrega Flaminio Bertoni do projeto. Conhecido pelo seu estilo único, este apresenta em 1962 um protótipo com o nome de código C60. Um misto entre o Citroën DS e o Ami 6 , este no entanto acaba por não convencer a direção da marca. De fato o C60 tinha um estilo um tanto estranho.

O atípico Citroën C60​ desenhado por Flaminio Bertoni.
O atípico Citroën C60 desenhado por Flaminio Bertoni.

Seguiu-se o projeto F, um protótipo ambicioso tecnologicamente pois previa a utilização de motores inovadores, como o motor Wankel e um 4 cilindros boxer que será mais tarde aproveitado para o GS. Apesar de estar tudo pronto para o início da sua produção, esta é anulada à última hora. Segundo rumores da altura pelo fato de este protótipo ser muito parecido com o concorrente Renault 16. Esta decisão trará prejuízos enormes que em muito contribuíram para a tomada de controlo da marca pela Peugeot .

O projeto F já estava ​praticamente pronto para a produção quando a Citroën desistiu do seu lançamento
O projeto F já estava praticamente pronto para a produção quando a Citroën desistiu do seu lançamento

Com o fim do projeto F, a Citroën dá início ao projeto G. O tempo urge a marca está bastante atrasada face à concorrência neste segmento tão importante na Europa. Desta vez, opta por contactar o designer italiano Giugaro que irá competir com o centro de estudos interno dirigido por Robert Opron.

Depois de avaliadas as duas propostas, os dirigentes da Citroën decidem-se pela proposta da equipa de Opron. Giugario venderia mais tarde o seu projeto à Alfa Romeo dando origem ao Alfasud.

Finalmente Chegou o GS

Três anos mais tarde, o Citroën GS estava pronto para ser apresentado ao público. Com um design original mas sem ser revolucionário, este apostava muito na aerodinâmica obtendo uns impressionantes 0,32 cx de resistência ao ar. Sendo uma carroçaria de dois volumes esperava-se uma quinta porta para um acesso mais fácil à bagageira, tal não se verificou para o desagrado de muitos clientes.

Cumprindo a tradição da Citroën da altura, também o interior do GS era inovador. O que dizer do velocímetro em que os números desfilavam como esse tratasse de uma balança. Ou do travão de mão que se encontrava no centro do painel de instrumentos para ganhar espaço na consola central, que mais parecia um suporte para copos a utilizar quando vamos ao McDrive.

Com um desenho elegante o painel de instrumentos do Citroën GS era original ​
Com um desenho elegante o painel de instrumentos do Citroën GS era original

Quanto aos motores o Citroën GS vai recuperar os motores previstos para o projeto F. Assim o 4 cilindros opostos arrefecido a ar de 1015 cm3 com 55,5 cv será o motor utilizado. Considerado pela imprensa especializada como pouco potente, a Citroën apresenta em 1972 uma evolução do motor, agora com 1220 cm3 para uma potência que podia ir de 60 a 65 cv conforme a versão. O que não é muito, felizmente o perfil aerodinâmico do Citroën permitia-lhe atingir performances aceitáveis. Em 1973, depois dos ensaios realizados com o Citroën M35 cabe ao GS a estreia do motor rotativo (Wankel) na gama, com a versão GS Birotor. Trata-se de motor com dois rotores de 497,5 cm3, o que equivalia a 1990 cm3 num motor tradicional. Este desenvolvia a potência de 107 cv e atingia a velocidade de 180 km/h.

Citroën GS service - a elegante versão comercial ​do GS.
Citroën GS service – a elegante versão comercial do GS.

Para compensar o seu atraso face aos concorrentes da altura, a Citroën vai dotar o seu novo modelo de uma central hidráulica diretamente derivada do seu topo de gama o Citroën DS. O que permitia o controlo da suspensão hidropneumática e do sistema de travões, aqui composto por 4 discos o que não era usual na altura. Esta tecnologia dava ao Citroën GS um comportamento dinâmico e um conforto superior ao habitual neste segmento.

Em 1972 era lançada a versão GS Break.

Um ano após o seu lançamento, o Citroën GS viria a ganhar o título de carro do ano. Em 1972 surge a versão luxuosa com a designação Pallas tal como no DS. E ainda a versão break de passageiros e comercial.

Ao longo da sua carreira o Citroën GS sofreu um primeiro restyling em 1977. A destacar alterações na traseira com novos faróis mais modernos, uma nova grelha frontal e novos manómetros no painel de instrumentos abandonando o velocímetro tipo balança.

O efémero GS Birotor, versão equipada com o motor Wankel de dois rotores.​
O efémero GS Birotor, versão equipada com o motor Wankel de dois rotores.

Citroën GSA – O triunfo do Plástico

No ano de 1979 surge o novo Citroën GSA, que cede à moda do plástico característica dos anos 80: novos pára-choques e puxadores de porta em plástico. Com o novo GSA aparece também uma nova atualização do motor agora com 1299 cm3 de cilindrada e caixa de 5 velocidades. A pedido de várias famílias, surge também a quinta porta que melhora o acesso à bagageira. Para terminar destaque para o novo painel de instrumentos que mais parece derivado da indústria aeroespacial, que tem tanto de original como de pouco prático, com os dois satélites que agrupam todos os comandos, tal como o Citroën Visa.

Série especial GS Basalte.

A carreira desportiva do Citroën GS poderia ter sido mais ativa do que foi. Mas as circunstâncias não lhe foram favoráveis, ofuscado pelo DS que estava no auge da sua carreira nos rallyes, seguido pelo SM que representava o que de melhor se fazia na marca em termos de tecnologia. Ainda assim conseguiu alguns êxitos, como em 1975 em que o malogrado Francisco Romãozinho que vence o rali de Portugal na sua categoria e classificando-se em oitavo da geral com um GS de apenas 100 cv.

Citroën GS participante da edição 2020 do Tour Auto Optic 2000.

Aqueles que seguem o Mundo Sobre Rodas sabem a relação especial que tenho com a Citroën. O meu primeiro carro foi um AX Image de 1994 que continua ainda na garagem. Sendo o meu pai funcionário da Citroën, o GS fez parte dos carros da família. O primeiro de todos foi precisamente um GS Pallas verde metalizado. Foi também com uma carrinha GS club que me iniciei nas lides da condução.

Citroën GSA.

Saindo de cena em 1987, o Citroën GS/GSA acabou por cumprir perfeitamente o seu papel, que consistia em preencher com êxito a lacuna entre o 2CV e o DS. Sendo produzidas um total de 2 474 346 unidades, é o terceiro modelo mais produzido pela marca, nada mau para um veículo muitas vezes menosprezado.

Vive a Tua Paixão!

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