Mini Moke – O Turista Acidental.

O verão está de volta, o carro de hoje é um dos modelos ideais para nos levar à praia. De óculos de sol, calções de banho, toalha ao ombro, havaianas nos pés e aqui vamos nós. Concebido para ser um veículo militar, comercializado como veículo comercial, o Mini Moke tornou-se num carro de lazer, ao qual Portugal estará para sempre ligado. A par com o Citroën Méhari e o Fiat Jolly, o Mini Moke invadiu as estâncias balneares nos anos 60 e 70.

A primeira versão civil do Mini Moke
A primeira versão civil do Mini Moke

O Moke Alista-se no Exército

Em 1959, o exército inglês lança um concurso para o fornecimento de veículo para as suas tropas navais e aerotransportadas, em que um dos seus requisitos é que este possa ser lançado de pára-quedas. A BMC (British Motors Company) decide participar, para isso, pede uma vez mais a Alec Issigonis para que com base no novo Austin Mini, desenhe um derivado com o qual possa partilhar vários componentes.

“Buckboard” é o nome do primeiro protótipo apresentado às forças armadas de sua majestade, mas este não será aceite pois é considerado demasiado pequeno, com uma reduzida altura ao solo e pouco potente. A BMC melhora o conceito apresentando vários protótipos, com novas suspensões e acrescenta-lhe um segundo motor para as rodas traseiras, tornando-o num verdadeiro 4×4. Agora com o nome de Moke, este volta a ser considerado inapto para a tropa.

Mini Moke Um Carro Mundial

Depois de ter dedicado tanto esforço no seu desenvolvimento a BMC decide comercializar uma versão civil do Moke. Assim, o Austin Mini Moke será comercializado como veículo comercial, com apenas o banco do condutor. O que lhe permitia escapar à taxa de IVA, sendo o banco do passageiro um opcional. De 1964 a 1968 foram produzidas 14518 unidades, muito aquém do esperado pela marca.

Moke Californian, a versão australiana
Moke Californian, a versão australiana

No ano de 1966, nasce um Mini Moke do outro lado do mundo. Este será proposto na Austrália na configuração que todos conhecemos, como um automóvel de praia. Batizado de Moke Californian, a versão australiana sofreu alterações específicas como: um motor de 998 cm3 mais potente do que o modelo inglês de 848 cm3, suspensão modificada para suportar as jantes de 13” e possui uma lotação de 4 lugares. O Moke Californian conheceu um certo sucesso, tendo sido produzidas 26142 unidades até 1981.

O Mini Moke Lusitano

Com esta versão australiana o Mini Moke entra no universo dos carros de praia. Pelo que a British Leyland decide continuar a sua produção, mas desta vez na Europa. Ao ter conhecimento do projeto, a filial portuguesa da British Leyland elaborou um estudo de viabilidade económica e propõe que a produção do Mini Moke seja feita em Portugal na sua fábrica de Setúbal, a IMA.

Tendo o projeto sido aprovado, os primeiros Mini Moke começam a sair da IMA a partir de 1983, sob forma de CKD oriundas da Austrália. Desde logo começaram os problemas, pois sendo a versão australiana houve uma certa dificuldade na obtenção de várias peças como, os braços de suspensão para jante 13” específicas desta versão. Como se não bastasse, as tensões sociais estão ao rubro em Portugal, pelo que, as greves dos trabalhadores e as sabotagens provocaram a paragem da produção em Setúbal.

Jim Lambert, conhecido como o pai do Mini Moke made in Portugal
Jim Lambert, conhecido como o pai do Mini Moke made in Portugal

Dadas as circunstâncias a casa-mãe envia Jim Lambert como consultor para reorganizar a produção. Muito entusiasmado com o projeto, este recém aposentado da British Leyland era um verdadeiro entusiasta do Mini Moke que conhecia muito bem, pelo que aceitou de imediato a tarefa.

A situação precária da IMA em Setúbal levou Jim Lambert a transferir a produção para Vendas Novas. Depois das dificuldades iniciais, graças a Jim e a sua equipa o Mini Moke renasce uma vez mais. Agora vai utilizar o máximo de peças padrão do Mini original, sendo 50% das peças fabricadas em Portugal para assegurar economias de escala e reduzir custos. O Mini Moke português tem um interior mais luxuoso, o motor de 998 cm3 com 39 cv e adopta as jantes de 12 polegadas.

Depois de produzidas cerca de 8500 unidades até 1991, a British Leyland vende a maquinaria à marca de motos italiana, Cagiva que recomeça a produção do Moke (deixando de utilizar o nome Mini pois não obteve os direitos de utilização). A Cagiva vai produzir mais 1500 Moke em dois anos.

versão produzida pelos italianos da Cagiva

As 7 Vidas do Mini Moke

Se a produção do Mini Moke já parou definitivamente há vários anos, alguns construtores inspiraram-se no seu design para fazer novas versões. É o caso da Nosmoke, que tal como o Citroën Club Cassis fez com Méhari, propõe um quadriciclo elétrico com as formas do Mini Moke original. Assim como o preparador francês Lazareth que propõe versões criativas do Moke anfíbias ou equipadas de um V8.

Moke anfíbio do preparador Lazareth

Com 30 anos de presença no catálogo da Austin -Rover e uma produção total de cerca de 50000 unidades. Hoje o Mini Moke representa o carro de praia por excelência, estando ainda bem presente nas estâncias balneares por esse mundo fora. Se a sua falta de polivalência limitou a sua produção, poucos são os carros que podem gabar-se de tal popularidade. Consequência, a cotação de um Mini Moke é bastante alta, mesmo as versões mais recentes. Se está interessado, segundo os entendidos os melhores são os Mini Moke made in Portugal.

Vive a Tua Paixão!

3 thoughts on “Mini Moke – O Turista Acidental.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s